O novo sistema 3D apresentado pela Philips em Barcelona promete. Mas como ele se sai na prática?

Atropelando por questão de dias o anúncio da LG de um televisor 3D com a mesma tecnologia usada nos cinemas, A Philips balançou o mercado e os consumidores. Mas, literalmente, olho no olho, como é a experiência?

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Olhando de perto, dá para perceber que é exatamente o mesmo sistema óptico adotado pela LG. Linhas verticais intercaladas são recebidas pelos dois olhos, e nosso cérebro acaba dando um jeito de juntar tudo. Como há uma diferença entre um lado e outro, existe a ilusão de perspectiva 3D.

A diferença crucial do sistema de óculos ativos, além de obviamente a tecnologia empregada nos óculos, é a resolução. Em vez das 1.080 linhas, o sistema passivo usa a metade disso, 1.080 linhas intercaladas. Antes do protesto generalizado dos videófilos xiitas, 1.080 intercaladas não é nada mal. Ora, até outro dia essa era a resolução máxima que o PS3 alcançava, e ninguém se imolava na frente da TV por causa disso…

A não ser que você seja um ciborgue monstruoso com sistema óptico amplificado, ou uma anomalia da natureza – apenas uma ínfima parcela da população tem acuidade visual perfeita e sinapses rápidas o bastante para perceber algumas coisas visuais – procurando pelo em ovo, nem vai notar a diferença, com imagens em movimento passando pela tela.

Há um aspecto pouco lembrado do nosso funcionamento cerebral, o fator psicovisual, que adapta nossa percepção de acordo com o que vemos. É por isso que conseguíamos assistir TV de tubo sem incômodo, desde que de uma certa distância. A lixarada de vídeo estava lá, mas nem percebíamos. E mesmo hoje, se longe, não dá muito bem para saber o que é alta definição ou definição padrão.

À uma distância confortável, com o óculos no rosto, a sensação que o sistema Easy 3D passa é de uma imagem normal, em alta resolução.

O único problema que percebemos: a limitação extrema do ângulo de visão. A não ser que estejamos diretamente à frente ou com pouca inclinação, o efeito se perde totalmente. Isso é bem diferente do que vimos com o aparelho da LG, que mesmo em ângulos extremos não perdia o efeito. Mas aí precisamos dar à Philips o benefício da dúvida, pois ainda era um protótipo, e esse tipo de ajuste, ligado diretamente ao filtro óptico da tela, pode ser feito no estágio final de produção.

O recurso Ambilight caiu como uma luva no sistema Easy 3D. Além de não afetar a qualidade da imagem, ainda amplificou um pouco o efeito 3D, esticando a percepção visual da imagem para os lados, deixando a perspectiva tridimensional ainda melhor.

Nossa conclusão é que a tecnologia da Philips promete, mas ainda precisa de ajustes para conseguir encarar a concorrência. Resolução, brilho, contraste e qualidade das cores não são problema. O único problema real é o ângulo. Dependendo do preço que os aparelhos com o recurso 3D passivo chegarem ao mercado, talvez o consumidor nem ligue para essa deficiência, e como dissemos, ainda é tempo de corrigir. No geral, tudo funciona como deveria.

Agora é esperar que os aparelhos sejam lançados no Brasil e tenhamos a chance de fazer um teste profundo, com diferentes fontes de vídeo, variando cores, movimento e luminância.