Desde que foi lançada em novembro passado, a panificadora automática Gopan da Sanyo foi um sucesso tão grande que a empresa foi forçada a não aceitar novos pedidos até abril de 2011.

A grande sacada desse produto é que ao invés de usar farinha, a Gopan utiliza grãos de arroz cru que são triturados pelo próprio equipamento e que junto com outros ingredientes como água, sal e fermento é capaz de preparar uma forma de pão em aproximadamente 3h20m. Interessante notar que desde 2003 a Sanyo já tinha uma máquina que faz pão de arroz, mas esta usava de farinha de arroz o que não fez muito sucesso devido a dificuldade de encontrar tal ingrediente no varejo.

Desde então os engenheiros da Sanyo passaram sete anos quebrando a cabeça para desenvolver um novo modelo capaz de usar grãos de arroz ao invés de farinha. A primeira grande sacada veio de um engenheiro da divisão de panelas de arroz que sugeriu deixar o arroz de molho para deixá-lo mais macio antes de puverizá-lo. Assim o que a Gopan faz é uma pasta de arroz e não exatamente farinha. Além disso foi desenvolvido um novo sistema de mistura formado por dois motores: um de alta velocidade de para pulverizar o arroz em grão (como num liquidificador) e outro de baixa velocidade para mexer a massa do pão. E com a ajuda do pessoal da divisão de aspiradores e de bicicletas elétricas foi possível desenvolver um novo motor duplo (reversível) ligado a um único sistema de lâminas.

Por trás da Gopan existe toda uma estratégia de longo prazo, já que com ela a empresa espera aumentar o consumo de arroz no Japão que tem decaído nos últimos anos. Além disso, o arroz está disponível e pode ser comprado durante o ano todo no Japão e é produzido localmente — o que contribui um pouco para a auto-suficiência de alimentos do país — ao contrário do trigo importado cuja logística e custo de transporte gera CO2 que vai pra atmosfera, que aumenta o efeito estufa, que altera o clima do planeta e (…o resto vocês já sabem). Sob o ponto de vista alimentar, o pão de arroz não contém glútem e pode ser consumido por pessoas alérgicas a trigo e também por pessoas idosas um público que tende a crescer cada vez mais no Japão.

Devido a sua grande demanda, não existe previsão de que a Gopan seja lançada em outras geografias. Mas quem estiver interessado em correr atrás de uma lá no Japão, segundo o Amazon.co.jp o seu preço sugerido está em torno de 97.800 ~ 99.800 ienes (R$ 1995 ~ R$ 2.036) dependendo da cor. Mais informações aqui.

Zumo in a Box:

Acredito que o nome Gopan seja um trocadilho baseado em duas palavras em japonês: Gohan (= arroz) e Pan (= pão). Interessante notar que esta última palavra veio diretamente do português já que os lusos foram os primeiros europeus a desembarcar no Japão “meio que por acaso” lá pelo século XIV quando o barco em que eles navegavam naugrafou numa praia de Kyushu depois de um tufão. Entre outras palavras em português assimiladas pelos japões até hoje estão karuta (= carta de jogar), bidoro (= vidro) e botan (= botão).

Reza a lenda que entre os diversos produtos e serviços introduzidos pelos portugueses no Japão estão a arma de fogo, o vinho, o açúcar e os missonários jesuítas — cuja concorrência começou a incomodar os religiosos locais ao pontp de irem se queixar com o Xogum que mandou dar um corre nos jesuítas, o que provocou protestos por parte dos portugueses. Mas como o Xogum da época não era de levar desaforo pro castelo, mandou cancelar os tratados de comércio e também expulsou os portugueses, substituindo-os pelos holandeses que estavam mais preocupados e fazer negócios do que conquistar almas.

Isso explica em parte por que apenas 5% da população japonesa segue a religião cristã.