Outro dia falamos aqui no ZTOP da nova linha de TVs da LG, a Cinema 3D, que usa óculos passivos para mostrar imagens 3D na sala de casa. Hoje, no Digital Experience, Jô e eu aproveitamos pra vê-la (literalmente) de perto. E funciona, de maneira bem interessante.

O que eu gostei: os óculos são leves, muito leves mesmo (deixam os óculos ativos parecendo pesos de papel visuais), com versão normal (estilo Roy Orbison) e clip-on, e a experiência, ainda que curta, não deu dor de cabeça ou enjôo (me deixe cinco minutos vendo TV 3D e começo a reclamar… sério!).

O Jô demonstra a LG Cinema 3D no vídeo a seguir e tira suas conclusões:

link do vídeo

Jô comenta: o efeito conseguido pela LG impressiona mesmo. Eu sempre vi esses televisores 3D com uma ponta de desconfiança. Todo fabricante promete uma experiência transcedental, mas na verdade tudo (ou melhor, quase tudo) deixa bastante a desejar. O grande problema, resolvido pela LG, é a maldita cintilação que mata a experiência. Cintilação é aquele pisca-pisca causado pelas alternância das lentes LCD em sincronia com a tela.

Sem cintilação, dá para assistir por muito mais tempo sem ficar verde de enjôo.

A LG realmente foi a primeira a conseguir colocar no mercado de eletrônicos de consumo uma TV desse tipo, mas é bom lembrar que Philips, Sharp, Toshiba (no Japão) e Samsung já mostraram e até vendem para o mercado corporativo aparelhos assim. Em Las Vegas tem a TV lenticular da Philips aos montes…

E como o negócio funciona? Vamos ver:

O efeito de tridimensionalidade funciona tanto “para fora” quanto “para dentro”, os objetos e cenas pulam suavemente para fora da tela ou parecem que estão mais distantes que a própria tela dependendo como a imagem foi captada ou pós-produzida.

Essa foto foi feita com uma das lentes do óculos passivo como filtro. Vejam que a imagem não parece serrilhada ou com aqueles “fantasmas”, as imagens residuais que deveriam ser vistas apenas pelo outro olho mas insistem em atrapalhar, fenômeno muito comum nas outras TVs 3D.

Matamos a charada do 3D ao ver de perto a imagem. A imagem é formada por linhas intercaladas, mais ou menos como na resolução 1080i. O que isso muda na vida do cidadão comum, que não fica contando frames ou linhas da imagem? Absolutamente nada. A percepção da tela, com o óculos e com imagens em movimento é muito satisfatória.

Aí foi de chorar de alegria. A profundidade da imagem é impressionante, e até dá uma leve alteração de perspectiva! Nos cantinhos da imagem, se nos deslocamos para o lado, parece olharmos dentro de uma caixa ou sala, pela porta ou pela janela. Até agora só tinha visto esse efeito em laboratório, em equipamentos nababescamente caros. Tremenda bola dentro da LG.

Esses foram os pontos positivos da Cinema 3D. Mas como todo aparelho, ela tem suas falhas:

Durante a demo de um jogo, o efeito ficou bacana apenas no primeiro plano. Ao fundo, vários problemas de processamento de imagem, o cenário pixelava (ficava quadriculado) e saia de sincronismo com o resto da cena. Na imagem estática isso não fica evidente, mas em movimento, a história era outra.

A TV da esquerda é uma 3D com óculos ativos, a da direita uma Cinema 3D. Não dá para saber se é falha de quem configurou, mas o contraste, brilho e cores da TV da esquerda dão uma surra na Cinema 3D. A sensação é que a imagem foi lavada e desbotou.

Quando alguma coisa na imagem é propositalmente colocada muito para frente, para enfatizar o efeito 3D (como se saísse da tela) a coisa degringola. Não tem jeito da imagem ficar boa, há uma clara separação entre os canais esquerdo e direito. Incomoda um pouco, mas ainda assim é melhor do que a maioria dos aparelhos 3D oferece.

A conclusão do primeiro contato rápido com a Cinema 3D é que ela realmente cumpre o que promete, 3D sem óculos pesadão, bem mais barato e que funciona em qualquer ângulo. É uma TV perfeita? Não mesmo. Mas resolve para a maioria dos consumidores.

Vamos ver como a Cinema 3D se sai ao passar por nossos testes, assim que chegar aqui nossa unidade de avaliação. Quem sabe a LG consegue até lá sanar alguns dos pontos negativos que percebemos…