Parece que a LG resolveu um grande dilema dos televisores 3D. A empresa anunciou o lançamento, por enquanto apenas na Coréia (e em breve no Brasil), de um aparelho (chamado Cinema 3D TV) que dá a sensação tridimensional usando óculos passivos, aqueles com lentes polarizadas e usados nas salas de exibição.

O grande problema enfrentado pela indústria até agora foi o ângulo de visão. Para o sistema passivo dar certo, é preciso que o espectador fique imóvel, olhando bem no meio do televisor, e a uma distância calculada.

Por causa disso, usa-se os óculos ativos, que têm um filtro LCD que funciona sincronizado com a velocidade de atualização. Mas esse sistema cria um problema fundamental: televisores LCD que usam a tecnologia causam um cansaço visual enorme, pois o cérebro percebe a alternância das lentes e há uma oscilação incômoda na imagem (o chamado efeito flickering, ou cintilação). Até agora, só os televisores de plasma 3D conseguiram driblar o problema, por causa da forma como a imagem é exibida e da velocidade absurda de atualização das telas.

A LG investe um absurdo em pesquisas com LCD  e esse anúncio é a prova disso. A façanha é conseguida com alguns filtros ópticos desenvolvidos para ajudar na separação das imagens que vão para cada olho e no aumento do brilho da imagem, sem comprometimento do contraste. Esse é justamente outro calcanhar de aquiles da tecnologia 3D que usa óculos ativos. Como as lentes alternam entre escuras e transparentes, isso tem impacto direto no brilho da imagem. Na alternância das fases das lentes, perde-se de 30% a 40% do brilho original da imagem. Mesmo as telas de plasma têm uma diminuição sensível do brilho.

Como não usa óculos ativos e não precisa compensar a perda de ciclos que a alternância das lentes causa – dos 120Hz de uma tela, apenas 60Hz de atualização são percebidos por cada olho, o que não é suficiente para assistir por longos períodos sem ficar tonto ou com dor de cabeça. Então, 120 Hz (vezes por segundo) de atualização dão conta do recado, pois os óculos captam todos os quadros da imagem, permitindo que ambos os olhos vejam a imagem completa.

Sem precisar apelar para uma tela com alta taxa de atualização e principalmente por usar óculos muito mais baratos, o novo televisor anunciado pela LG tem enorme potencial de baixar significativamente o preço da experiência 3D em casa. Com o ganho de escala, é possível que por menos de 20% do preço de uma TV de tela fina convencional seja possível comprar um aparelho 3D.

A melhor notícia é que não se trata de um conceito em estudo, para um futuro distante. A Cinema 3D é uma realidade na Coréia. E pelo jeito, também será no Brasil. A LG, em seu evento anual de apresentação dos novos produtos para o mercado brasileiro que acontece dia 2 de março, mostrará a Cinema 3D por esses lados. Aí sim vamos ver com nossos próprios olhos se a Cinema 3D realmente cumpre o que promete.

Henrique comenta: ainda aguardo os óculos 3D que deixem as pessoas com menos cara de Roy Orbison ou Chico Xavier, isso sim.

Jô comenta: seus problemas acabaram! Olha só o que vai ser vendido lá nos EUA:

Você vai poder assistir ao massacre que Michael Bay promove com os pobres Transformers usando os óculos embutidos em uma conveniente máscara de Optimus Prime. Para aumentar a diversão, ainda tem a do Bumble Bee!

Oakley lançou, no final de 2010, um óculos 3D especialmente projetado para reduzir a distorção óptica, coisa comum nos óculos de plástico vagabundo (e que dão um certo nojo, pois nunca estão totalmente limpos…) dos cinemas.

E existe também o look Chiquinha do Chavez, para aqueles filmes cheios de referências à cultura pop. Um luxo, não?