Em 2009, a inglesa Dyson, conhecida por fabricar aspiradores de pó ultraeficientes (e lindos), lançou um ventilador inovador: o Air Multiplier, primeiro a funcionar sem o uso de pás, com um tubo circular montado sobre um pedestal.

Design incrível, vento forte, preço alto (US$ 300 para o modelo mais básico). Objeto de desejo, claro.

Corta para 2011: a Polishop, loja de vendas pela TV, anuncia seu primeiro ventilador sem pás, o Wap Wind, produzido pela Wap (caso raro de empresas que conseguem transformar sua marca em substantivo – o de lavadoras de alta pressão… ou “wap”!).

Vi aquilo e pensei na Dyson: copiaram o design industrial dos caras.

Só que, pra meu espanto – e de muita gente -, o Wap Wind não é uma cópia. E pelo que deu para perceber durante a Eletrolar Show 2011, diversos fabricantes vão lançar modelos similares nos próximos meses no Brasil. O motivo? Quem inventou o ventilador sem pás não foi a Dyson – ela só aperfeiçoou a tecnologia.

Ventiladores sem pás funcionam de uma maneira não muito complicada: um motor instalado na base/pedestal suga o ar do ambiente, que segue por dentro do aparelho até uma fenda dentro do tubo. O movimento gera o fluxo de ar, que é jogado para fora de maneira mais forte pela borda do tubo. Balões em movimento explicam melhor:

Patricia Santiago, que trabalha no marketing da WAP, explicou durante a Eletrolar a confusão em torno das patentes e garante que o WAP Wind não é cópia dos modelos da Dyson . “Modelos sem pás são comuns na Ásia, e a patente desse tipo de equipamento está em domínio público, já que foi criada no começo dos anos 1980”, afirma.

A Dyson, por e-mail, comentou que “estamos investigando diversos casos de falsificação“.

Um pouco de pesquisa, porém, valida a informação da WAP. A patente de um equipamento similar foi registrada em 1981 pela Tokyo Shibaura Electric (Toshiba!!) e nunca fabricada. A questão de quem é dono da ideia remonta a 2009, quando a Dyson lançou o produto no Reino Unido e foi questionada sobre a questão das patentes – o próprio Intellectual Property Office do Reino Unido afirmou que o pedido de patente da Dyson era “muito parecido” com o da Toshiba.

O que a Dyson fez? Resolveu ressaltar um ponto diferente no design dos seus aparelhos: a superfície “Coanda”, o modo que o ar é enviado para fora do ventilador. E realmente um Dyson “venta” com mais potência que um Wap Wind.

Na prática, comprar um Wap Wind ou qualquer outro ventilador sem pás similar (já tem até em formato de maçã no local do tubo) hoje não significa ter algo que é cópia de design industrial da Dyson. A patente da Toshiba já entrou em domínio público em grande parte do mundo, explica Patricia Santiago, incluindo o mercado brasileiro. A única diferença, no fim das contas, é que o vento na Dyson é um pouquinho mais forte.

Dá até para fazer uma comparação básica com o mercado de notebooks: a Apple lança algo extremamente inovador, como o MacBook Air, meses antes de qualquer outro competidor. Um tempo depois, uma tecnologia similar é lançada por um dos principais fornecedores da Apple (Intel) para o resto do mercado, com um novo nome: Ultrabook. A Dyson, no caso, é a Apple dos ventiladores. Os demais fabricantes são os OEMs de PCs. No fim das contas, tudo acaba sendo produzido em algum lugar da China.